G_noticia_23442Com o mercado de caminhões em queda livre, o Grupo Volvo admitiu ter deixado de lado o plano de começar a vender uma nova marca de caminhões no Brasil. Segundo o ex-presidente interino da companhia na América Latina eles perderam muito dinheiro no país no ano passado, a crise foi maior do que esperavam, com queda de 60% nas vendas de pesados.

No impulso de seu crescimento no mercado nacional nos últimos anos, a empresa anunciou em 2012 que passaria a vender no Brasil veículos de outra marca de caminhões do Grupo. Até o fim de 2014 o projeto estava de pé, porém sem qualquer decisão. A escolha era entre Renault Trucks, Mack e UD. O palpite mais forte era de que a companhia iria complementar a sua oferta no Brasil com uma linha de caminhões mais leves e possivelmente mais simples e acessíveis. A investida equilibraria a gama Volvo, que tem caminhões semipesados e pesados com preços e conteúdo tecnológico elevado.

O projeto, no entanto, não resistiu à decepcionante performance do mercado brasileiro em 2015, quando as vendas de caminhões da companhia caíram expressivos 64% na comparação com o ano anterior, para 6,7 mil unidades, considerando as entregas da fábrica para o mercado, número mais abrangente que o de emplacamentos. Parte das perdas foram compensadas por exportações que responderam por entre 30% dos negócios da empresa no Brasil, com 2,8 mil unidades, volume 10% maior que o de 2014.

Os negócios em outros países da América Latina evoluíram puxados pela demanda do Peru, Chile, Argentina e Colômbia. A fábrica nacional da empresa, em Curitiba (PR), abastece cerca de 30 países. Ainda segundo a companhia, neste ano eles esperam que os negócios continuem rentáveis. Com o novo governo, a Argentina tem mostrado reação muito positiva. Na análise do executivo, o Brasil não seguirá o mesmo caminho. Segundo ele, não há sinais de reversão da trajetória de descendente. “O mercado deve cair mais um pouco, em torno de 15% para o segmento de semipesados e pesados, para 35 mil unidades”, relata Bernardo Fedalto, diretor comercial da Volvo Caminhões.

Diante do cenário adverso, a companhia não planeja novo investimento para a operação local, o executivo não prevê retomada do mercado nacional de caminhões aos patamares elevados vistos recentemente. Ainda assim, ele lembra que o Brasil permanece como o segundo maior mercado para a Volvo no mundo.

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